Congresso Nacional de Geologia - Aracajú/SE


Geodiversidade e Termalismo como opções sustentáveis de uso do Aqüífero Tubarão para a Depressão Periférica Paulista – Zona Médio Tietê


Geól. Fábio Lazzerini – diretor da Sociedade Brasileira de Termalismo
Dra. Sueli Yoshinaga Pereira – docente UNICAMP
Setembro de 2006.











Esta região enquadra-se na Província Geomorfológica da Depressão Periférica Paulista (lPT, 1981a), constituída por relevos de colinas e morretes com altitudes médias de 500 a800 metros, estando inserida na zona do médio Tietê, (IG/93-APCII,1964).

A Depressão Periférica é a região de relevo mais baixo, limítrofe às Cuestas Basálticas à Oeste e à Leste pela Borda Leste da Bacia Sedimentar do Paraná com o Cristalino Pré-Cambriano. Está inserida na Província Hidrogeológica do Paraná (CPRM, 1997) e mais precisamente na Província Hidrogeológica Paleozóica Paulista (IPT/2002).

Os principais municípios abrangidos são: Campinas (parte), Sumaré, Americana, Santa Bárbara D’Oeste, Limeira, Rio Claro, Piracicaba, Capivari, Charqueada, Águas de São Pedro, São Pedro, Itú, Tatuí, Anhembi, Bofete e Botucatú. Sendo que a maioria destes apresenta elevado índice de crescimento populacional e econômico, com aceleração dos problemas de abastecimento de águas superficiais e mais recentemente subterrâneas.

O principal aqüífero em questão é o Tubarão ou Itararé, composto por sedimentos permocarboníferos de origem marinha costeira/deltaica glacial e composição heterogênea de bancos de arenitos estratificados com bancos silto-argilosos. É considerado nesta região como um aquitarde, ou no mínimo um manancial irregular, profundo (150 a 200 mts.), de pouca vazão e com águas salobras demais para o abastecimento público e atividades industriais. Mas suas águas profundas são estrategicamente o último manancial regional, devido ao atual cenário de elevado consumo, consumo per capita e degradação (poluição e assoreamento) das águas superficiais e subterrâneas rasas.

Segundo Lopes, 1994, suas médias de vazões exploráveis são 0,85 m3/s, disponibilidade hídrica: 3,35 m3/s. Segundo Sepe (1992) seu comportamento hidrogeoquímico possui gradações geográficas e estratigráficas, podendo-se generalizar a classificação crenológica destas águas como: mediamente mineralizadas (2 g/l), alcalinas (pH 8.5), clorossulfatadas, bicarbonatadas, carbonatadas, fluoretadas, brometadas, boratadas sódicas e litinadas; ou seja, complexas em cátions e ânions e muitas vezes sulfurosas.

Estas características são inadequadas ou caras para seus usos, dentro das atividades econômicas atualmente existentes; contudo são muito interessantes como recursos naturais terapêuticos (RNT) lpara a prática do Turismo saúde, Termalismo e da Medicina Hidrológica ou Crenologia. (Portaria 971, 03/05/2006 - MS). Somando-se ao fato de ser uma região de destaque em belezas naturais do interior paulista, principalmente pela Geodiversidade das Cuestas, intrusões vulcânicas e neotectônica; sugere-se o conhecimento e fomento destas atividades, como forma de otimização das dotações naturais para viabilidade do desenvolvimento sustentável.

A maior sustentabilidade destas opções de atividades econômicas baseiam-se em experiências bem sucedidas de Balneários, Termas, Estâncias e SPAs do mundo todo, onde além dos benefícios da melhora dos níveis da mão-de-obra e qualidade de vida local , os resultados alcançam dimensões nacionais na saúde e na previdência social.

Por fim, particularizam-se as águas em questão como de uso consagrado historicamente em recreação, balneabilidade e hidroterapias; bem como em fisioterapias, clínicas estéticas e farmacosméticos. Estudos médicos mais recentes, relacionam estas classificações crenológicas com terapias relacionadas em especial a dermatologia, reumatologia, pneumatologia e gastroenterologia.

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